Em meio à transformação digital contínua e à evolução acelerada das tecnologias de consumo, 2025 desponta como o ano em que o marketing finalmente virou uma esquina importante. Não é apenas sobre plataformas, métricas ou canais. É sobre uma mudança profunda no comportamento das marcas, das agências e dos consumidores. E quem não acompanhar, ficará para trás.
O relatório da Conversion ‘Tendências de Marketing 2025: O Ano da Grande Virada’ foi realizada e conduzida pela Conversion entre novembro e dezembro de 2024 com 733 profissionais entrevistados de forma online. O levantamento fez um diagnóstico direto que apontou que o marketing brasileiro vive um dilema. De um lado, a pressão por resultados imediatos empurra as marcas para ações de performance e mídia paga. Do outro, cresce a consciência sobre a importância de construir marcas fortes e duradouras.
Essa tensão — entre o curto e o longo prazo — pauta as decisões estratégicas em 2025. Em números, 74% dos investimentos em marketing no Brasil ainda estão voltados para performance. Branding, por sua vez, recebe apenas 26% do orçamento.
No entanto, como alertou Bob Dylan na música que inspira o relatório (“The Times They Are A-Changin’”), aqueles que não aprenderem a nadar, vão afundar.
A união entre branding e performance, batizada de Brandgrowth, surge como a principal metodologia para equilibrar os extremos este ano. O conceito parte da premissa de que não adianta atrair se você não for lembrado. Marcas que se conectam emocionalmente com os consumidores geram comunidades, lealdade e, claro, conversões sustentáveis.
Segundo a pesquisa, 41% das empresas já adotam estratégias integradas de Brandgrowth, e 87,6% estão, no mínimo, conscientes da necessidade dessa integração.
O Instagram reina soberano em 2025: está presente em 93,3% das empresas — superando até o Google. Mas o destaque não é só quantitativo. O Instagram se tornou o epicentro da jornada de compra, permitindo que o consumidor descubra, interaja, decida e compre sem sair do app.
Já o LinkedIn mostra crescimento relevante, sobretudo por conta dos influenciadores corporativos: colaboradores que humanizam a comunicação e aproximam as marcas das pessoas.
YouTube e TikTok seguem relevantes, especialmente na criação de comunidades engajadas. Por outro lado, o Facebook e os blogs perdem espaço.
Apesar da percepção de queda na performance orgânica, o SEO ressurge como uma das maiores apostas para 2025. Entre 80% e 90% das conversões nas grandes marcas ainda têm origem em buscas relacionadas à própria marca — mostrando que o tráfego de marca continua sendo um ativo valioso.
O desafio agora é criar conteúdo que atenda às novas exigências do Google: relevância real, experiência, especialização, autoridade e confiabilidade (os pilares EEAT). Isso se torna mais difícil em um cenário dominado por conteúdos automatizados com inteligência artificial.
Mais de 97% dos profissionais de marketing no Brasil utilizam IA em sua rotina, com foco em criação de conteúdo e copywriting. Mas o relatório aponta um alerta: o uso indiscriminado de ferramentas como ChatGPT, Canva AI e Gemini pode estar impactando negativamente o SEO.
Embora úteis, essas ferramentas precisam ser bem utilizadas — como assistentes, não como substitutos. A curadoria humana e o pensamento estratégico continuam indispensáveis para garantir qualidade, originalidade e conexão com o público.
O funil de marketing continua relevante — especialmente na lógica AIDA (Atenção, Interesse, Desejo e Ação) — mas está cada vez mais fluido. Em 2025, as marcas bem-sucedidas serão aquelas que conseguirem criar experiências significativas em cada ponto de contato.
Ferramentas como CSAT, NPS e entrevistas com clientes ganham espaço na tentativa de entender o real impacto das ações de marketing. A escuta ativa passa a ser uma vantagem competitiva.
A pesquisa revelou os maiores gargalos enfrentados pelos times de marketing no Brasil:
Curiosamente, enquanto os desafios se tornam mais complexos, a busca por soluções fáceis e imediatas continua. Isso explica, por exemplo, o aumento nos investimentos em mídia paga (51,7%), mesmo sendo uma estratégia cada vez mais cara e menos escalável a longo prazo.
Em uma surpresa positiva, os eventos presenciais ganharam força e ultrapassaram o SEO em termos de percepção de resultados. O sucesso do SEO Summit 2024 exemplifica o retorno da conexão física como uma tática poderosa para construção de comunidade e geração de negócios.
O que o relatório da Conversion deixa claro é que estamos diante de uma transformação profunda — talvez a maior das últimas décadas. As marcas que irão prosperar são aquelas que conseguirem equilibrar velocidade com consistência, tecnologia com humanidade, dados com propósito.
O marketing de 2025 não é sobre canais. É sobre conexões.